O paciente entra na sala desconfiado olhando em volta, senta na cadeira e dá a entender que quer perguntar algo mas está com vergonha.

Você Ortodontista, percebe que alguma coisa vem por aí. Claro, seu feeling é apurado e após a manutenção que consistiu em verificar o uso de elásticos de intercuspidação e recolar o mini tubo no 26, tomando o maior cuidado para o arco não derrubá-lo, pergunta:
“Você tem alguma dúvida sobre seu tratamento?”.
E então vem a pergunta clássica, a frase que não quer calar, o elefante branco presente na sala: “Doutor, quando vou tirar o aparelho?”.
Costumo brincar com meus pacientes que usar aparelho ortodôntico são duas alegrias: o dia que se instala e o dia que tira.
Ok, não vou negar. Braquetes incomodam? Sim. Arcos espetam a bochecha? Às vezes. Alinhadores invisíveis também provocam dores? Claro!
Conviver com qualquer aparato ortodôntico não é uma das coisas mais confortáveis do mundo (palavra de quem já usou aparelho em duas ocasiões!)
 Existe sempre aquela alface que você tem que tomar cuidado pra não ficar entre o central e o lateral, o tubo de Oncilon que se torna parte da indumentária, o cuidado com a pipoca no escurinho do cinema.
Esforço, cuidado e colaboração do paciente é o que realmente faz um tratamento dar certo (não entrarei na questão “capacidade do Ortodontista”, que a meu ver é condição sine qua non).
Alem disso, um preceito básico que muitos profissionais esquecem: o número de consultas proativas, ou seja, aquelas consultas que colaboram efetivamente para a finalização do caso.
O paciente atrasou e você não teve tempo de realizar o procedimento programado? Não conta como consulta proativa. Braquetes caíram e você precisou recolar? Não conta também! O paciente faltou? Mais uma consulta agregada ao tratamento.
O que podemos informar ao paciente – e ele tem o direito de saber, é o número de consultas proativas que serão necessárias para a finalização do caso.
Tempo ninguém controla; é uma bobagem tentar prever o que vai acontecer em seis, oito, nove meses ou daqui a dois anos – ainda mais se não houver colaboração.